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LBDI: A história da “Bauhaus Brasileira” que poucos conhecem

Muitos olham para Florianópolis hoje e enxergam apenas o polo tecnológico vibrante. O que poucos sabem é que, décadas atrás, a Ilha foi o cenário de uma das experiências mais vanguardistas do design mundial: o LBDI (Laboratório Brasileiro de Design Industrial).

Se a Bauhaus alemã revolucionou o século XX ao unir arte e indústria, o LBDI fez algo semelhante em solo catarinense. Fundado em 1983 sob o olhar visionário de Lynaldo Cavalcanti (então presidente do CNPq) e a liderança técnica do mestre Gui Bonsiepe, o laboratório nasceu para encurtar a distância entre a academia e a indústria brasileira.

Um caldeirão de nacionalidades e saberes

O que tornava o LBDI verdadeiramente especial era o seu caráter cosmopolita. Não era apenas um projeto catarinense, mas um ponto de encontro global. Sob a coordenação de Bonsiepe, um remanescente da famosa Escola de Ulm na Alemanha, o laboratório atraiu designers de diversas nacionalidades e brasileiros de todas as regiões.

Essa mistura de sotaques e perspectivas criou um ambiente de troca cultural sem precedentes. Era o design sendo praticado como uma linguagem universal, onde a precisão alemã se encontrava com a criatividade brasileira para resolver problemas reais da nossa indústria metal-mecânica, moveleira e eletroeletrônica.

Rigor, método e a prática na oficina

O LBDI tratava o design com um rigor metodológico quase científico. Não se desenhava por instinto, mas por análise, ergonomia e viabilidade. Tive a oportunidade de conhecer de perto essa filosofia através de grandes mestres.

Célio Teodorico e João Calligaris não foram apenas meus professores na UDESC (onde ingressei em 1996, na primeira turma de Design com dupla habilitação); foram mentores com quem tive a honra de conviver e trabalhar profissionalmente. Eles carregam consigo a herança prática do laboratório, aquela capacidade de enxergar o produto além da superfície.

Complementando essa formação, aprendi o valor do “fazer” na oficina de Fábio Rautemberg, que também integrou o laboratório. No LBDI, a oficina de modelos e protótipos era o coração do processo. Ver a teoria se transformar em forma física sob o olhar atento de quem domina o material é o que diferencia um “desenhista” de um verdadeiro designer industrial.

 

O legado que respiramos

O encerramento das atividades do LBDI em 1997 não significou o fim da sua ideologia, mas sim a sua transmutação. O curso de Design da UDESC, que iniciou em 1996, foi a consequência direta e o desdobramento natural de toda aquela efervescência técnica em solo catarinense. A academia absorveu o DNA do laboratório para garantir que aquela mentalidade de vanguarda não se perdesse.

Eu tive o privilégio de ingressar justamente naquela primeira turma de 1996. Naquele momento, as salas de aula da UDESC eram a extensão viva do que se praticava no laboratório em Canasvieiras, provando que era possível pensar o mundo e influenciar grandes empresas com gestão e estratégia de design.

Hoje, no Bem Design Studio, buscamos manter esse legado. Beber dessa fonte me ensinou que a estética é a consequência de um projeto bem estruturado e que o compromisso do designer é com a clareza, a função e a sustentabilidade.

O design centrado no bem e na vida nos ensina: viver mais, com menos e melhor.